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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os nativos da capitania do Rio Grande á época da conquista

Quando os portugueses chegaram ao Brasil no ano de 1500, se depararam com um quadro novo, com novas terras e seus habitantes, que Pero Vaz de Caminha, escrivão da esquadra de Pedro Alvarez Cabral, descreve com propriedade minuciosa os aspectos desses nativos, desde os caracteres físicos até os aparatos militares primitivos. No contexto da busca do caminho que os levariam para as Índias e consolidar o monopólio das especiarias, os portugueses achando que tinha desembarcado nas Índias se acharam no Brasil, denominaram os nativos que lhes deram o nome de Índios. Através desse quadro histórico as autoras Geronazzo e Martins, irão mostrar as origens desses povos nativos americanos, suas migrações e diversificação dentro do território nacional com ênfase na capitania do Rio Grande, os vários grupos formados até a chegada dos Europeus, seus conflitos entre si e entre os invasores.
Conforme as autoras os nativos encontrados no litoral eram de origem Tupi, especificamente os potiguaras, e são eles que irão fornecer todas as informações da existência de outros grupos de nativos no interior da capitania, que são chamados pelos Tupis de Tapuias, que por muito tempo foi usado para designar a divisão dos habitantes do litoral e do sertão, feitos alguns estudos de caráter etnológico no século XX descobriram que esse nome Tapuias era genérico e que designava toda tribo que não falava o tupi e que conseguinte eram inimigas dos tupis. Um dos grandes estudioso dos nativos brasileiros fora Pompeu Sobrinho que fez um estudo aprofundado desde as origens até a distribuição geográfica dos índios no território nacional. Conforme suas pesquisas os nativos americano é descendente de grupos humanos oriundos de diversas partes da terra, tais como: Polinésia, indonésia e Ásia, que chegaram as Américas por rotas diversas e varias migrações, que conseqüentemente veio a gerar alguns tipos humanos diversificados através dos milênios, que iriam integrar a população nativa na época da chegada dos europeus no continente. Pompeu Sobrinho baseado em alguns estudiosos de sua época, sobre a origem dos nativos americanos, incluiu a seguinte classificação, na primeira leva migratória que possivelmente saíram da Sibéria em aproximadamente 28º e 20º milênios, atravessando o estreito de Bering, e tinham características estritamente paleolíticas em seus aspectos sociais, nômades caçadores e coletores e usavam ferramentas de pedras, a possível rota para se chegarem ao Rio Grande era que eles desceram a cordilheira dos Andes e chegaram a America do sul, se dividiram em três grupos raciais bem definidos, tomando rotas diferentes. De acordo com Pompeu Sobrinho, um dos ramos raciais chegou até o território do Rio Grande do Norte, pelos afluentes dos rios Parnaíba e São Francisco convêm notar a importância de tribo dos Tarairius que primeiro ocupou essa região. A quarta corrente migratória adveio por correntes marítimas do nordeste asiático entre o 7º e 5º milênio AC., atingindo a costa ocidental do continente americano pela região central, diferentemente dos grupos anteriores, essa corrente migratória tem características neolíticas, tendo uma organização social bastante diversificada, sendo agricultores, produtores de cerâmica e tecidos, tendo domínio da navegação, que facilitou suas deslocações migratórias, seus aparatos militares bem elaborados, construíam casas e aldeias e em relação aos aspectos físicos eram do tipo mongolóide de baixa estatura. Conforme o estudo eles também se dividiram em dois tipos raciais, os Brasílicos cruzando a cordilheira andina chegaram à bacia amazônica cujos afluentes se atravessa todo continente, e chegaram ao nordeste e se estabeleceram as margens do rio São Francisco. Os Brasílicos deram origem a varias tribos tais como Arauque, Tupi-Guarani, Cariri etc..
Com foi dito no início do texto os Tapuias eram inimigos ferrenhos dos potiguaras, e por isso eles os chamaram por esse nome, os Tapuias não eram somente um grupo com uma língua em comum que localizavam nos sertões, eram varias tribos com diversificado sistema de produção e linguagem, aceita amplamente pelos estudiosos, a antiguidade dos Tapuias no continente em contraste com a recente chegada dos Tupis. O folclorista potiguar Câmara Cascudo nos relata as diferenças os tupis habitantes do litoral e dos vários grupos de Tapuias proveniente dos sertões, segundo Cascudo, os potiguares eram Tupis e todos os demais eram Cariris, pseudônimo adotado pelos Tupis para os seus inimigos. Outro grupo bastante relatado por Cascudo são os Janduí, pela sua feracidade e organização política. Existem muitas controvérsias acerca da formação étnica dos Tapuias, por serem vários grupos com língua e costumes diferenciados. Pompeu sobrinho baseado em Herkman dividia os Tapuias em quatro nações, que são os Cariris, Caririwasus, Cararijus ou Tarariús, e ultimo teria derivado provavelmente de outra nação desconhecida. Havia muitas diferenças culturais entre os Cariris e os Tarariús, que dão base para o argumento de Pompeu sobre a origem desconhecida dos Tarariús.
Os potiguaras, povo de origem Tupi tinham seu modo de vida bastante diferente e relação aos Tapuias, habitavam toda faixa litorânea, falava diversos dialetos do tronco lingüístico Tupi-guarani tinha um porte físico médio, robusto, alegres, cabelos pretos e olhos castanhos, pintavam varias partes do corpo, não usavam vestimentas e sua cor natural era morena, fabricavam canoas, e ferramentas para o pescado, usavam como armas o arco e a flecha o tacape e o escudo, segundo Georg Friederich, eram arqueiros implacáveis em seus alvos, a organização social do trabalho era dividida sexualmente e pela idade. Uma característica que se deve destacar sem duvida era a sua mobilidade para se deslocar-se rapidamente. Com a chegada dos portugueses os potiguaras foram forçados a fazer varias migrações que chegaram até o Ceará.
Os vários povos tapuias espalhados pelos sertões não tinham uma união nacionalista, como se nota através de estudos as diversas batalhas entre si, e também pelos idiomas diversos, sua formação cultural e religiosa.
Os povos como os Tarairiu tinham um porte físico privilegiado, com uma estatura óssea elevada, o escritor Elias Herckman descreve com precisão seus modos e costumes, esses Tapuias eram bastante cuidadosos em relação à higiene corporal, praticando a depilação de todo o corpo e rosto, não tinham uma vestimenta, mas cobriam suas genitálias, praticavam o chamado endocanibalismo, que era um ritual de devorarem os seus mortos. Os Tarairiús eram conhecidos pela sua ferocidade, força e velocidade e habilidade na guerra.
Os kariris tinham um estilo de vida diferentes dos Tarairús, com as mulheres dominando os maridos, os filhos não aceitando o domínio dos seus genitores, não existiam uma ordem política dentro das aldeias, eram designadas várias autoridades de acordo com o momento, se houvesse guerra. Os feiticeiros tinham um papel fundamental dentro da tribo prevendo os acontecimentos futuros e curando os males da população. A descrição do Frei Martinho de Nantes nos mostra que esse povo utilizava arcos e flechas como armas de guerra, praticavam a caça e a pesca e tinham o costume de queimar os ossos de suas presas, que eram depois ingeridos. Consideravam as doenças físicas como manifestações de feitiçaria oriundas de outrem. A morte só lhes era considerada natural quando idoso.
De um modo geral, as autoras apóiam-se em diversos estudiosos para emitir suas conclusões. Numa das poucas oportunidades em que declara suas próprias idéias, Genorazzo e Martins nos mostra as dificuldades relacionadas à história dos primeiros nativos da capitania do Rio Grande, suas dúvidas e referências para se chegar a um quadro amplo dessas populações.
O texto nos fornece subsídios à nossa pesquisa histórica, à medida que trata dos principais autores da problemática histórica relacionada aos povos indígenas mais recentes, reportando-se a esclarecimentos abrangentes sempre que necessário. Com sólidos conhecimentos acerca do desenrolar histórico, as autoras nos leva para um Rio Grande do Norte ainda desconhecido e misterioso, com seus habitantes pré-históricos, que ao longo dos tempos foram ignorados e deixados de lado pela historiografia tradicionalista e eurocêntrica. Levando-nos a compreender as idéias básicas do desenrolar histórico sobre os nativos, bem como a descobrir uma nova maneira de se ver a formação cultural, demográfica e histórica desses povos. O texto relacionado é uma leitura que exige conhecimentos prévios para serem entendidos, além de diversas releituras e pesquisas quanto á conceitos antropológicos e etnológicos, autores e contextos apresentados, uma vez que as conclusões emergem a partir de esclarecimentos e posições de diversos especialistas da história e cultura dos nativos potiguares e suas aplicações e posturas em referência as pesquisas quem embora não tenham ainda uma aderência dos principais ramos da história tem se mostrado promissora nesses últimos tempos.
Com estilo claro o objetivo, as autoras nos dão esclarecimentos sobre as origens dos índios, suas migrações e sua diversificação dentro do território nacional, os vários grupos formados até a chegada dos Europeus, seus conflitos entre si e entre os invasores. Os exemplos citados amplamente nos auxiliam na compreensão do contexto histórico e nos possibilitam analisar e confrontar várias posições, a fim de chegarmos a uma compreensão bastante satisfatória da temática. Mostram-nos a imensa possibilidade de elaborarmos trabalhos e no campo da historiografia dos nativos do Rio Grande do Norte, além de nos encaminhar para exposições mais detalhadas a respeito de determinados tópicos abordados, relacionando autores e bibliografias específicas. Geronazzo e Martins no começo de suas carreiras nos proporcionam uma releitura do nosso modo de ver a história do Brasil e do Rio Grande do Norte, suas proposições acerca da história dos nativos nos dão um embasamento para novas pesquisas e teses, pois essa problemática ainda não foi estudada a fundo e existem ainda muitas dúvidas e controvérsias sobre o assunto, é de suma importância exaltar o pioneirismo das autoras, que nos molda a visão e amplia no campo teórico de pesquisa com brilhantismo e simplicidade do texto, dando-nos a possibilidade de uma nova e promissora visão do contexto histórico do Rio Grande do Norte antes e depois da chegada dos europeus.
Por: ELSON CASSIANO

2 comentários:

Fabiola disse...

fkou otimo Elson parabéns!! vou usufruir muito dos seus textos!!!!!!!!

Elson Cassiano disse...

Isso me deixa muito feliz pois tenho um compromisso com meus leitores de sempre produzir texto coerentes e claros.