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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A questão do objeto em História

                         O pensamento do filosofo e historiador francês Michel Foucault tem ajudado os historiadores a refletir, nos últimos anos sobre a difícil questão do Objeto histórico. A analítica do objeto histórico no pensamento Foucaultiano é o tema deste texto.
Com Foucault houve uma abertura para novas formas de se ver o passado, seu trabalho nós proporcionou aliados a incompreensões e agressivas reações que também causaram no conjunto dos profissionais da área. Em alguns textos Foucault escreveu que os efeitos dos seus textos seriam desagradáveis para os historiadores, mas isso não o impediu de influenciarem muitos deles, e ser considerado por outros como alguém que revolucionou este campo do saber. Mas qual seria então a perturbadora novidade de tratar os objetos históricos que teria feito de Foucault um pensador incomodo, mesmo para seus detratores. O que o tornado uma referencia tão importante neste campo, que não se poderia passar por ele impunemente, a ele seria obrigatório referir-se, nem que fosse para denegá-lo?
O primeiro grande impacto do pensamento foucaultiano foi a radicalização da própria percepção da historicidade de todos os objetos a serem trabalhados por este saber. Com ele não havia mais nenhum objeto histórico que não fosse encarado como um acontecimento, tendo uma emergência em um determinado momento histórico, para se dissolver, mudar de contornos, redefinirem-se, passar por rupturas mais adiante. Com ele se aprende que o passado se configura, adquire forma, é desenhado na incessante batalha que os homens travam no presente, buscando dar a ele uma consistência, uma estabilidade, uma memória, que sirvam de suporte para projetos, estratégias, astúcias, que apontam para a construção de verdades possíveis sobre o ser do homem.
Com Foucault aprendi que nada pode ser visto como Natural, justo, verdadeiro, belo, desde sempre. As formas que os objetos históricos adquirem só podem ser explicadas pela própria Historia. É vasculhando as camadas constitutivas de um dado saber, deu dado acontecimento, de um dado fato que podemos apreender o movimento de seu aparecimento, aproximamo-nos do momento em que foi ganhando consistência e visibilidade e dizibilidade. Ele nos faz pensar os objetos que o historiador estuda como uma fabricação artesanal. Ele é responsável por sua seleção, seu recorte, sua elaboração. O historiador fará com eles seu próprio origami, dobrará de uma outra forma estas paginas amareladas, dará a elas uma nova respiração, nascida do sopro da imaginação, da sua intuição, do sonho, da fantasia. Com ele a realidade é o que cada época assim o definiu. Exercitando um nominalismo radical, o historiador deve estar atento para como cada época histórica definiu o que era realidade, o que era verdade.
O trabalho do historiador não tem mais como resultado final a apresentação deu projeto desvelado em todos os seus segredos, mostrado em todos os seus contornos sedutores, mas se torna trabalho paciente de desmontagem, apresentando no final a dispersão das peças que entraram na composição do engenho histórico. O objeto é despedaçado em seus contornos definidos, para retornar ao indefinido, abrindo a possibilidade de um novo vir a ser. Com ele o trabalhado do historiador é insuflar nova vida aos relatos que nos dizem o que era o passado, através do uso da imaginação, da nossa capacidade poética de retramar o que está tramado, redizer o que está dito rever o que já foi visto, para que estes relatos nos sirvam para desmarcar a nossa diferença, sirvam-nos para nos tramarmos, dizermos e vermos de uma outra forma. Historia é experiência que se troca com o passado, para melhor distanciá-lo, para que nós possamos ser cada vez mais estranhos a estas vozes e seres que se enunciam do antanho, mais estranhos a nós mesmos. Devemos desconfiar, pois, dos objetos definidos para o saber histórico.
Para Foucault não há um objeto que ano seja no mesmo instante um objeto da política. Os contornos que damos ao passado, as regiões deste que iluminamos os objetos que apanhamos entre poeira e fazemos novamente se encenarem, as tramas que pensamos ouvir ns desvãos dos arquivos, atendem a problemas e embates de nosso próprio tempo, em que estão mergulhadas nossas próprias vidas. Nada chega do passado que ano seja convocada por uma estratégia, armada por uma tática, visando a atender alguma demanda de nosso próprio tempo. Foucault de inicio foi ignorado, mas com o passar do tempo, sua forma de pensar o objeto da historia, foi sendo adotado pelos historiadores, e outras partiram para o ataque para tentar desqualifica-lo. Foucault responderia a alguns de seus opositores argumentando com a necessidade de desneutralizar os objetos históricos, de pensá-los como intrigas que podem ser refeitas, dependendo do objeto ou estratégia que atravessem o texto. A historia que pratica não compõe totalidades fechadas e ano escolhe acontecimentos-eixos para organizar toda uma temporalidade. Toda organização do passado é provisória, toda centralidade pode ser descentrada, toda totalidade em Historia é uma multiplicidade aberta, em fluxo. O que o trabalho de Foucault nos ajudar a entender é justamente, como determinadas verdade são instituídas em campos do saber com a Historia e como estas, uma vez cristalizadas, dificultam a emergência de uma outra forma de olhar para o passado.
Há quem pense que a Historia apresenta uma única estrada principal com seu relevo e acidentes incontornáveis. Foucault apresenta a historia das veredas, dos atalhos, em que o esquecimento de certos “fatos” é necessário.
Foucault também foi acusado de não ter método, como se existisse um método universal e único para se produzir conhecimento em historia. Quase sempre se acusa alguém de não se ter método é porque este não se pauta pelo método que quem escreve a critica julga possuir.
Fazer historia com Foucault requer criatividade, usar seu pensamento diferencialmente, inventar seu próprio caminho a cada pesquisa. Seria mais honesto e produtivo a diferença de método e discuti-la. Um dos pontos de divergência entre a historia praticada por Foucault e aquela praticada pela maioria dos historiadores é, justamente, quanto à existência ou não de objetos para a historia.

Por Elson Cassiano
História 2º UERN-ASSU

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