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domingo, 31 de janeiro de 2010



A nova historia seu passado e seu presente
Peter Burke
O universo do historiador se expandiu e se modificou de maneira vertiginosa, rompendo com á historia nacional dominante no século XIX, ela deixou de ser produzida por amadores, ganhou corpo de disciplina cientifica, hoje compete com á historia mundial e a regional, ampliando e criando novos campos, nesse ambiente fragmentado da produção da historiográfica, a história social, econômica etcs, são exemplos disso. Com essa fragmentação há uma crescente necessidade de orientação. Burke faz algumas indagações que considero primordial para a compreensão do texto: O que é a chamada nova historia? Quanto é a nova história? É um modismo temporário ou uma tendência de longo prazo? Ela irá ou deverá substituir a história tradicional, ou as rivais podem coexistir pacificamente?
O que é a chamada nova historia? Burke irá nos levar para o principio do uso do termo nova história, que é bastante conhecido na França, através da obra de Jacques Le Goff, um renomado medievalista que usou o termo nova história em seus artigos, novos problemas, novas abordagens e novos objetos. Essa nova história é exclusivamente de origem francesa, especificamente da escola dos Annales. Contudo definir o que é a nova historia é bastante problemático, simplesmente pelo fato de que ela foi idealizada como uma reação deliberada contra a o paradigma tradicional, conhecido como historia Rankiana, ou paradigma do senso comum da história, considerada a maneira de se fazer história e não uma das opções das verias abordagens que é possível de se fazer acerca do passado. Iremos discorrer sobre os contrastes entre a nova historia e a antiga.
1)    Para o paradigma tradicional a história diz respeito essencialmente à política. Em contraposição a nova historia começou a se interessar por virtualmente por toda a atividade humana, para eles tudo tem uma historia, tudo tem um passado que pode ser em principio reconstruído e relacionado ao restante do passado.
2)    Os tradicionais pensam na historia como essencialmente narrativa dos acontecimentos, enquanto a nova historia está mais preocupada com a análise das estruturas. Ênfase nas mudanças econômicas e sociais de longo prazo, e das mudanças Geo-historicas de muito longo prazo.
3)    Á historia tradicional oferece uma visão de cima, no sentido de que tem sempre se concentrado nos grandes feitos dos grandes homens, estadistas etc. ao restante da humanidade foi designado o papel periférico no drama histórico. Á nova historia em contra partida está preocupada á história visto de baixo, em outras palavras, com as opiniões das pessoas comuns e com sua experiência da mudança social, um exemplo disso é a historia das mentalidades.
4)    O paradigma tradicional a historia deveria ser baseada em documentos, Ranke trouxe contribuições relevantes na exposição das limitações das fontes narrativas ou crônicas. (critica interna e externa) que a historia vista de baixou trouxe as limitações desse tipo de documento.
5)    O paradigma tradicional para explicar e avaliar os fatos históricos preza a ação individual, enquanto a nova historia se preocupa com os movimentos coletivos e não com o individual.
6)    Para o paradigma tradicional a historia é objetiva (dar acesso a verdade), a tarefa do historiador é trazer a tona aos seus leitores os fatos como realmente aconteceram. Enquanto a nova historia pensa que a historia é subjetiva.
Quanto é a nova história? A expressão nova história é usada muitas vezes com referência aos desenvolvimentos ocorridos nos anos 70 e 80, período em que a reação contra o paradigma tradicional deixou de ser local para se tornar mundial. Quando se fala em nova historia vem logo á mente os nomes de Lucien Febvre, Marc Block e Fernand Braudel, fundadores da escola dos Annales em 1929, esse movimento teve grande importância dentro do saber historiográfico, renovando o modo de se fazer historia, contudo Burke nos leva para mais além no tempo, para nos explicar que essa tendência de renovação dentro da historia ocorreu bem antes dos annales, nos anos 30 na Inglaterra houve um levante contra as narrativas de acontecimentos, que para alguns é um tipo de historia estrutural, na Alemanha em 1900 karl Lamprecht tornou-se impopular por desafiar o paradigma tradicional, essa história centralizada nos acontecimentos como se observa foi inventada entes de Braudel, Bloch e Febvre, que segundo a autor bebeu da fonte inspiradora de uma grupo de estudiosos centrado nas teorias do grande sociólogo Emile Durkheim, fundadores da revista Analise sociológica. Para Burke a expressão nova historia tem a sua própria historia. Mesmo antes dos Annales se acreditavam numa historia total, a nova historia adentrou no desenvolvimento das ciências humanas, antropologia, economia, psicologia e sociologia, criando assim a interdisciplinaridade tão bem explorada pela nova história em sua produção. Á historia agora estava interessado nas estruturas e não nos acontecimentos, incorporando algumas idéias do marxismo, e o autor nos diz que essa nova historia tem uma divida para com as ciências sociais, embora não seja abertamente reconhecida. Conclui-se que a essa nova historia tem suas raízes bastante longas, embora essas tendências não ganhassem tamanha proporção antes dos Annales. Como se nota o que é novo não é o termo novo historia, mas seus idealizadores agora numerosos se recusarem a ficar a margem das mudanças.
Como foi mencionado nessa nova historia há vários problemas a serem discutido, tais como: Problemas de definição, de fontes, de explicação, e de síntese.
Iremos entrar um pouco nos problemas de definição, seus pontos fracos e fortes, como se ver a nova historia cresceu devido a inadequação do paradigma tradicional, provocado pela explosão das ciências sociais, que veio trazer uma nova visão das humanidades, essas alianças com as ciências sociais fez com que a historia se tornasse mais dinâmica aberta, esse dialogo com as outras ciências é um dos pontos fortes, uma historia interessada no cotidiano, vista de baixo, mas em contra posição há a dificuldade de se lidar com os conceitos, saber quem é o baixo? Quem são os pobres? Toda população? Segundo o autor esses problemas de definição existem porque os novos historiadores então adentrando em terreno desconhecido, não familiar a eles. Á historia vista de baixo é uma expressão que parece oferecer uma escapatória a essas dificuldades, mas ao mesmo tempo gera seus próprios problemas, por exemplo, á historia da vida cotidiana, o que essas abordagens têm em comum é sua preocupação com o mundo da experiência comum. Tudo isso recebe o impacto do relativismo cultural inevitável na escrita da história.
Os problemas das fontes, que o autor considera um dos maiores problemas para os novos historiadores, as fontes e os métodos. Como o universo do historiador se expandiu vertiginosamente outras fontes e métodos apareceram, as fontes além do documento escrito, as fontes orais, fotográficas, culturais etc., todavia todas essas fontes causam problemas embaraçosos para o historiador. Devemos ter cuidado ao examinarmos as fontes judiciais, ás fonte orais ainda não tem uma critica fundamentada como nos documentos. Situação essa semelhando as fontes materiais como a fotografia, embora os objetos da cultura material seja área de ação tradicionalmente dos arqueólogos, eles podem ser estudados pelos historiadores.
Com a expansão do campo do historiador necessariamente implica num repensar da explicação histórica, uma vez que as tendências culturais e sociais não podem ser analisadas da mesma forma que os acontecimentos políticos, pois requer segundo Burke mais explicação estrutural. Os historiadores quer gostem, quer não tem agora que se preocupar com essas questões que outrora interessavam somente ao sociólogo e as outras ciências sociais, que sugerem a pergunta: quais são os verdadeiros agentes da historia? Os indivíduos ou os grupos? Como se observa existem vários problemas de explicação dentro da nova historia.
O expansionismo do universo do historiador provocado pelo dialogo crescente com as outras ciências sociais, fez com que a historia se fragmentasse de tal forma que provocou um problema de síntese, á historia está bebendo tanto das fontes e dos métodos das ciências sociais, causando uma proliferação de subdisciplinas que o autor afirma que é virtualmente inevitável que isso aconteça. Essa proliferação tem seu lado positivo, contribuindo para o conhecimento humano e o encorajamento de métodos mais rigosos e padrões mais profissionais. Destacam-se a micro historia e a historia da vida cotidiana foram reações contra os estudo das grandes tendências sociais, a sociedade sem uma face humana.
Segundo autor ainda há uma longa distancia daquela historia total defendida por Braudel, e até com certo ceticismo ele não acredita que possa alcançar tal objetivo.
Elson Cassiano Sobrinho

Um comentário:

tanyara disse...

bacana
amei
bem criativo