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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Resumo do Texto: Os Potiguaras, Franceses e Portugueses: Disputa pelo Litoral. Fatima Martins Lopes


A autora nas primeiras linhas de seu texto lança sua argumentação como ponto fundamental para a consolidação e Domínio português no Rio Grande, a construção do Forte dos Reis Magos no final do século XVI, pois se passou a ter maior regimento militar no litoral aumentando a possibilidade de defesa contra Franceses e Indígenas, avançando categoricamente na colonização tardia das terras do Rio Grande, vale salientar também que a autora deixa claro que houve outras tentativas de colonizar as terras anteriormente com as capitanias hereditárias em 1535. Após o “descobrimento” do Brasil, Portugal passou 30 anos para se chegar á um projetor colonizador, até mesmo pelos atrativos comerciais das Índias e suas especiarias, mas Portugal teve um novo impulso colonizador ao saber das imensas riquezas espanholas encontradas nos Andes, juntamente com novas politicas europeias e a chegada ao trono de Carlos V da Espanha, que preocupava Portugal, juntamente com a ação dos piratas franceses rodeando o litoral brasileiro.
Joao de Barros feitor da casa da Índia e Mina e historiador, recebeu a capitania do Rio Grande em 1535 para descobrir e colonizar com intuito de granjear as riquezas que a terra ofereceria, com tamanha tarefa que exigiria recursos financeiros, João de Barros se alia á outros donatários para financiarem a expedição e dar início à colonização propriamente dita, contudo eles não contavam com a ferocidade dos nativos que fizeram com que a tentativa fracassasse, houve tentativas no Ceará sem sucesso também somente conseguindo no Maranhão. Os filhos de João de Barros tentaram também se fixar no litoral do Rio Grande onde permaneceram por cincos anos (1556-1561) de intensos combates contra os indígenas hostis. Os índios que resistiam à colonização portuguesa eram os Potiguaras do tronco linguístico Tupi-guarani.
Américo Vespúcio descreve bem como eram e agiam os nativos indígenas, e a documentação segundo a autora é bastante escassa, ao qual ela dar duas explicações para essa escassez documentaria, primeiro é relativa ao abandono da região pelos portugueses que não encontravam atrativos comerciais fora a extração de Pau-brasil, segundo é a que está conforme a autora vinculada diretamente a esse abandono supracitado acima, que era a exploração de áreas mais atraentes economicamente como Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, pois a rentabilidade era imediata, que facilitava a ocupação da região. Isso poderá ser observado nas cartas ao Rei, todas essas dificuldades e a necessidade de deixar dois degredados para aprenderam o idioma dos nativos, outra preocupação sem dúvida era a presença ilegal de piratas franceses que apontavam no litoral do Rio Grande para extrair pau-brasil ao qual a coroa francesa não respondia por tais. Não havendo uma descrição histórica concreta de como eram os Potiguaras, mas pelos relatos de cronistas portugueses e franceses podemos ter uma ideia dos tipos humanos que habitavam o litoral do Rio Grande, como os Potiguaras eram do mesmo tronco linguístico Tupi-guarani, pegando os traços dos Tupinambás, que predominavam desde o litoral da Bahia ao Rio de Janeiro. O domínio do idioma tupi pelos religiosos facilitou a comunicação e o contato com os indígenas Potiguaras, e por outro lado o fator língua também facilitou a comunicação com outras comunidades dominadas pelos portugueses e segundo a autora foi crucial para a hostilidade encontrada pelos portugueses no litoral do Rio Grande. A autora faz uma breve descrição dos potiguaras seus aparatos ritualísticos e comuns, sua disposição física, pouca sujeição a doenças e defeitos físicos, a alegria das crianças, a formosura das mulheres e a longevidade dos homens foram bastante observadas pelos cronistas. Sua posição geográfica estratégicas, perto do litoral e das ribeiras de rios, fabricadores de canoas e aparatos para pesca, sua principal unidade de organização social era as aldeias, sempre próximo à água e ás plantações ao redor. Citando Câmara Cascudo, a autora nos passa em números a quantidade de fogueiras ardendo, 164, e a população de seis mil indígenas quando os portugueses chegaram para conquistar o território. Conforme Cascudo, essa população de indígenas foi acrescida de brancos e diminuída de índios, mas o que teria provocada essa diminuição? A autora irá nos responder dando os fatores dessa interiorização indígena principalmente para o Ceará, onde fontes documentais falam dessa migração e consequente esvaziamento indígena do Rio Grande, um dos fatores que a autora nos mostra é a ação das doenças do branco, varíola que dizimava as populações indígenas, juntamente com a guerra e o medo da escravidão que os forçava a se interiorizar. Como se observa no decorrer do texto essa ocupação portuguesa no Rio grande foi bastante lenta, e com muitos obstáculos e não conseguiram impedir a evasão indígena da capitania. Outro fator que contribuiu para essas migrações indígenas pode ser explicado culturalmente, pelo fato de que eles eram povos caracterizados pela grande mobilidade espacial, os povos Tupis promoviam mudanças constantes para plantar e para buscar a lendária terra sem mares, uma espécie de paraíso indígena na terra. A autora nos mostra também que essa busca pela “terra sem mar” ficou mais forte na época da chegada dos portugueses e esse contato imediato com uma nova cultura provocou choques tremendo nos indígenas, sentiam medo da escravidão, das doenças e da própria morte. A autora salienta a facilidade dessas migrações devido a facilidade de organização politica indígena, pois, as aldeias eram independentes entre si, havendo no comando do mesmo um ancião cuja autoridade era somente forte em tempos de guerrear, no tempo de paz seguia-se a vida cotidiana sem precisar da regência desse ancião, pois todos tinha noção de suas obrigações dentro da tribo. Uma espécie de conselho regia a aldeia indígena, composto pelo líder e os homens mais velhos e conceituados, para assim decidirem assuntos de ordens coletivas, tratados de paz e isso é bastante visto na relação no processo de colonização portuguesa na capitania do Rio Grande. Vemos isso detalhadamente nas fontes documentais dos tratados de paz entre os principais dos Potiguaras e os Portugueses. A ação diplomática era crucial, pois nos moldes de organização politica os nativos tinham suas aldeias independentes entre si, cabendo ser negociada a paz com cada aldeia e seus maiorais, e isso a autora nos diz que dificultou muito o domínio português que deveria ser negociado com base nas alianças de trocas e favores. Voltando para o estudo dos indígenas potiguaras, a autora nos leva para a distribuição sexual do trabalho, como também pela idade e alguns trabalhos eram proibidos para o sexo oposto. As mulheres cuidavam das plantações e os homens a caça e a pesca, preparação da terra para o plantio etc. em sua organização econômica, tudo lhes era comum, embora os instrumentos e utensílios pudessem ser possuídos individualmente, não havia apropriação particular da terra e nem os produtos oriundos dela. Como notado acima, as mulheres dentro da organização social Tupi, tinham sua função produtiva bem definida, mas sua participação social era feita através da perpetuação das comunidades, não somente no aspecto biológico de reprodutora, mas social, pois as alianças eram estabelecidas através de casamentos essa ligação entre guerreiros. Com isso pensava os índios que ao fazerem alianças com os portugueses através dos casamentos, iriam promover importância maior e crescimento no numero de guerreiros na tribo.
Os potiguaras nas suas guerras tradicionais manejavam o arco e flecha, que também eram utilizados para caça e pesca, marchavam ou navegavam pelos grandes rios com grande numero de guerreiros a fim de encontrar seus oponentes, vencendo a guerra levavam cativos homens, mulheres e crianças, onde são prisioneiros e posteriormente executados e devorados. As motivações para guerrear não eram econômicas ou por territórios, mas sim pela questão da vingança, e ao verem isso os cronistas europeus ficaram apavorados com a antropofagia. Essa aproximação com os nativos era primordial até mesmo para a sobrevivência dos portugueses, pois os indígenas sabiam como obter os alimentos e produtos da terra, necessários para a sustentação dos primeiros colonizadores, foram motivações para uma pacifica aproximação inicial com dos Europeus. Em base se desenvolveu as relações de escambo entre Europeus e Indígenas? Quais eram as vantagens para os Europeus? Creio que essas perguntas foram respondidas acima, agora iremos tratar desse contato direto dos Europeus, Franceses, escambo, alianças e disputas pela terra.
O ponto inicial na ótica portuguesa fazer alianças com os indígenas era fundamental para se estabelecerem na região, e mantiver os povoamentos iniciais em certa segurança dos indígenas insubmissos e também dos corsários franceses, que disputavam granjear apoio indígena, quadro esse que visualizavam as disputas hegemônicas dos europeus pelo Novo Mundo. Essas tentativas de escambo e parceiros para guerrear e dominar o território tanto por franceses quanto por portugueses se motivava pelo domínio da terra e suas riquezas naturais. A autora nos mostra a importância e a preocupação portuguesa para ocupar o Rio Grande, por que a presença francesa no território poderia desencadear mais ainda a resistência indígena e no decorrer do texto podemos ver que essas preocupações portuguesas eram validas, pois os Potiguaras resistiram e fizeram alianças com os franceses através do escambo, agindo nessas politicas de alianças os portugueses avançavam na ocupação espacial, pois com a falta de mão-de-obra os indígenas seriam economicamente viável tanto para franceses quanto para portugueses na exploração das feitorias predatória de Pau-brasil. A autora destaca a força dessas alianças com os franceses, conseguida por meio do escambo, os indígenas adquiriam utensílios, armas e prestigio social pela aliança, além da ajudar no combate contra os portugueses, juntaram a quantidade de guerreiros Potiguaras com o conhecimento das táticas de guerra dos europeus e se fortaleciam, pois como podemos ver nas relações diplomáticas a França não reconhecia essa supremacia Ibérica na divisão do Novo Mundo, rei francês Francisco I dizia não saber de nenhum testamento de Adão e Eva que dividisse o mundo entre portugueses e espanhóis, a ação dos corsários franceses sempre eram amistosas para com os nativos, geralmente negociavam a força motriz indígena através do escambo, sem agirem diretamente na dimensão espacial dos nativos. Havia uma grande preocupação já em 1548 quando por carta ao Rei D. João III, detalhando a movimentação no litoral do Rio Grande de esquadras de navios franceses. O filho de João de Barros pede ao rei que a construção de uma fortaleza para defender seu direito de posse. Vale salienta que a tentativa francesa de domínio na baia de Guanabara entre 1555 e 1560 financiada pela coroa francesa e por mercadores e apoiada pelos índios Tamoios, ameaçou a soberania e a unidade colonial portuguesa e ameaçou o monopólio comercial português de pau-brasil na Europa, pois estava com a concorrência francesa. Os 15 anos na costa do Rio de Janeiro fizeram os franceses garimparem mais o litoral chegando à Bahia e Rio Grande, mapas e documentos mostram o conhecimento e interesse dos franceses na região nordeste, e principalmente a importância das alianças estabelecidas com os indígenas. A autora diz que essa presença francesa no litoral do Rio Grande era constante em 1587.
Em 1580 já sobre a tutela da união Ibérica, o nordeste colonial brasileiro passou a ser visto pela ótica expansionista de Felipe II fazendo a ligação da região com a região amazônica, pela consolidação de dois núcleos coloniais. Era de suma importância o domínio dessa área para os planos expansionistas de Felipe II, por um lado os indígenas bem informados sobre os portugueses e já experientes nas praticas bélicas, com o apoio francês e do outro lado os portugueses que precisavam dominar a terra essências para o projeto Filipino de ampliação colonial, esse era o quadro politico e bélico da região, os Potiguaras aterrorizavam os colonos portugueses em Pernambuco e Itamaracá, vivam em constante clima de guerra, os colonos exigiam alguma ação do rei para poderem produzir e viverem em paz. Os potiguaras do litoral aliados aos franceses e os potiguaras das serras começaram uma guerra que duraria aproximadamente 25 anos até a conquista do Rio Grande.
ELSON CASSIANO

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