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sábado, 19 de junho de 2010

RESENHA da obra A reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino

Pierre BOURDIEU; Jean-Claude PASSERON, A reprodução: Elementos para uma teoria do sistema de ensino, (Tradução: Reynaldo Bairão e revisada por Pedro Benjamin Garcia e Ana Maria Baeta), Ed. Vozes 2ª edição 2009, 266 pp.
Bourdieu é filósofo e Passeron é sociólogo, e ambos lecionavam na École de Sociologie du Collège de France, instituição que o consagrou como um dos maiores intelectuais de seu tempo. Bourdieu e Passeron trabalhavam com as idéias de três pensadores que são considerados fundadores modernos da sociologia: E. Durkheim, Max Weber e Karl Marx. Os autores estão profundamente ligados à concepção do marxismo, capitalismo, luta de classes, entre outros. E Bourdieu discorre em sua obra “A Reprodução” alguns desses temas, principalmente o capitalismo e as classes sociais geradas pelo sistema. Existia na obra de E. Durkheim certa ambição em unificar os saberes das ciências humanas em torno da sociologia, e seguindo essa linha Bourdieu em suas obras faz uma síntese interativa entre o modelo de Durkheim e o estruturalismo, ao qual se conecta com a sociologia de Durkheim para desvendar o peso das estruturas sociais por trás das ações dos sujeitos, subentende-se aqui nessa extensão radical do modelo de Durkheim que os indivíduos estão submetidos ao controle das estruturas da sociedade. Para Bourdieu, a junção das teorias de Durkheim e do estruturalismo permite demonstrar como os indivíduos, em sua ação, apenas reproduzem os ditames determinados pela estrutura social vigente. Em 1970 Bourdieu e Passeron em parceria lançaram o livro “A REPRODUÇÃO”, ao qual defendem que toda ação pedagógica é, objetivamente, uma ação simbólica. Devem-se explicitar aqui os conceitos de violência simbólica, ao qual se define como imposição arbitraria que é apresentado àquele que sofre a violência de modo disfarçado e que oculta às relações de força que estão no topo da pirâmide do poder. Partindo-se desse principio a ação pedagógica, portanto é uma violência simbólica, pois é imposta por um poder arbitrário que eles chamam de arbítrio cultural. Bourdieu e Passeron viveram no século XX e iniciaram suas obras numa época de transição entre o período de guerras da primeira metade do século XX e o período das revoluções comportamentais e tecnológicas da segunda metade. Esta obra é composta de duas partes de acordo com a problemática elaborada pelos autores; I- Fundamentos de uma teoria da violência simbólica, e a segunda parte II- A manutenção da ordem.
Bourdieu e Passeron identificam e analisam profundamente a desigualdade na sociedade, não de forma genérica, mas nua e crua, e com todos os detalhes e motivos. Ele fala sobre ações e reações sociais de uma forma bem objetiva, sem rodeios. Na obra “A Reprodução” eles falam sobre a desigualdade de classes e a relacionam com a probabilidade de êxito em todos os campos da vida. Em suma, ele fala que o sistema elimina os fracos e não se preocupa mais em resgatá-los, não tem interesse algum em integra-los á sociedade, pois eles já passaram pelo que Bourdieu chama de estrutura de oportunidades. E ele insere a critica, falando que essa estrutura de oportunidades é extremamente desigual, e que a desigualdade existe, persiste e é legitimada quando os indivíduos passam a reproduzir a mesma, como num ciclo. Os autores trazem uma reflexão profunda sobre o sistema de ensino em vigor. Na época, eles escreveram sobre as universidades na França, mas lendo a obra você acredita e identifica situações que ainda ocorrem no nosso sistema atual, aqui no Brasil. Além da reflexão sobre a desigualdade do sistema de ensino, de conteúdos, de probabilidades de êxito escolar e profissional, os autores falam sobre ‘o exame’ no capítulo 3. E eles desenvolvem o tema, relacionando-o diretamente às estruturas de legitimação da desigualdade e descrevendo-o como uma ferramenta, um meio para que as desigualdades ocorram. Ele é ao mesmo tempo: a avaliação, a seleção, a probabilidade, o êxito e a exclusão do indivíduo.
A obra analisa e critica o modo de ver e pensar da escola francesa, e também define a mesma como “o espaço da reprodução social e um eficiente domínio de legitimação das desigualdades”. A escola é vista pelos autores como um local, uma instituição que reproduz a sociedade e seus valores e que efetiva e legaliza as desigualdades em todos os aspectos, pois é na escola que o legado econômico da família transforma-se em capital cultural.
Nos dois primeiros capítulos, os autores defendem a ideia de que a escola não é neutra, não é justa, não promove a igualdade de oportunidades, e também não transmite da mesma forma determinados conhecimentos, pois é a cultura da classe dominante, ideia essa oriunda da luta de classes do marxismo. A escola, ao tratar de maneira igual tanto em direitos quanto em deveres aqueles que são diferentes socialmente, acaba privilegiando os que por sua herança cultural já são privilegiados.
O terceiro capítulo da obra, chamado “eliminação e seleção”, descreve de forma crítica e analítica o exame na estrutura de ensino, sobretudo francês.
É a partir deste pensamento que os autores começam a caracterizar o exame como um instrumento de seleção, classificação, e também a mostrar seu peso e valor no ambiente escolar. Para Bourdieu e Passeron, o exame estabelece uma definição social do conhecimento e da maneira de mostra-los, ou seja, padroniza respostas e reações relacionadas a determinados conteúdos e limita de certa forma, o conhecimento e as capacidades adquiridas e desenvolvidas ao longo dos anos. A escola utiliza o exame para selecionar os indivíduos tecnicamente mais competentes e os classifica desde os primeiros anos de vida escolar, colocando-os sob o status de nobreza escolar. Já aqueles originários de classes populares, muitas vezes são eliminados do sistema antes mesmo de serem examinados e avaliados, o que demonstra o quanto as desigualdades são poderosas e influentes no ingresso e êxito escolar do indivíduo.
Nesse ponto, os autores utilizam os termos “probabilidade de passagem e probabilidade de êxito”, para destacar o quanto as diferenças culturais podem agir na vida e no sucesso escolar de determinada pessoa. Aqueles que vieram ou passaram por uma estrutura social pobre em condições básicas de sobrevivência e informação de qualidade, tem chances menores de obter êxito escolar e ingressar no ensino superior. É uma visão cruel dos fatos tão bem discorrida pelos autores e presentes na realidade desigual do sistema de ensino brasileiro. Os que conseguem ultrapassar essa linha divisória rigorosa tendem a começar a reproduzir tudo aquilo que aprenderam no sistema social em que estavam inseridos e acabam, muitas vezes, recebendo o diploma sem ter desenvolvido as competências básicas exigidas pelo sistema escolar. O exame não pode ser reduzido a apenas um serviço ou uma prática escolar, pois ele determina a vida do sujeito em todos os aspectos, e sua extrema valorização é resultado do sistema de oportunidades em que a sociedade moderna está baseada. Uma falsa estrutura de igualdade social regida pela hierarquia dos êxitos escolares. Essa é uma critica sempre presente no decorrer dos capítulos da reprodução. Tal sistema de oportunidades é exposto pelos autores assim:
“Eis porque a estrutura das oportunidades objetivas da ascensão pela Escola condiciona as disposições relativamente à Escola e à ascensão pela Escola, disposições que contribuem por sua vez de uma maneira determinante para definir as oportunidades de ter acesso à Escola, de aderir às suas normas e de nela ter êxito, e, por conseguinte as oportunidades de ascensão social”. (BOURDIEU E PASSERON, 1970 p. 190).
Como se percebe, os autores caracterizam a Escola e sua estrutura como uma oportunidade de ascensão social, ou um meio, um caminho para isso, e esse pensamento é decorrente da democratização do ensino e da elevação de diplomados com o tempo, que leva a escola a substituir progressivamente as desigualdades de acesso ao ensino pelas desigualdades de currículos para manter sua função social de reprodutora social. Com isso, pode-se observar que as escolhas de cursos e instituições de ensino passam a ser fortemente dependentes do poder e repletas de valores atribuídos socialmente graças ao capital e poder simbólico das instituições, agentes escolares e seus usuários. Neste âmbito, o que é valorizado não se restringe a apenas o quanto o indivíduo sabe ou estudou sobre determinado assunto, mas também onde e qual curso prestigiado pela sociedade cursou, efetivando mais uma vez as desigualdades, agora, de currículos. Desta maneira, a partir deste capítulo e da obra como um todo, Bourdieu e Passeron foram capazes, de demonstrar que as características sociais, culturais e políticas do sistema educacional francês, de fato, reproduziram as hierarquias existentes e as formas de dominação social, assim revelando o esvaziamento real das noções de igualdade propagadas por um sistema que seria democrático, e que a todos ofereceria tais oportunidades.
Por isso, o conceito de reprodução, na obra destes autores, é igualmente decisivo, pois permite compreender porque os indivíduos, envolvidos nos discursos e nas ideologias dominantes, contudo os autores acreditam que as chances existam para todos quando, de fato, as estruturas existentes e as práticas sociais que permeiam a estrutura social, ao contrário, apenas reproduzem a situação atual da sociedade, e o exame é um instrumento claro de perpetuação da contraposição entre igualdades e desigualdades no âmbito social.
O que podemos notar nessa obra é a sua atualidade, e sua contextualização com o sistema de ensino brasileiro, a sua ação pedagógica, a noção de classes vinda de Marx, sua objeção ao capitalismo consumista, sua realidade social e política tão bem exporta pelos autores, mostrando sem rodeios, à dura e cruel realidade da maioria dos sistemas de ensinos institucionais, com a realidade vivida pelas massas populares mais carentes. Lendo Bourdieu e Passeron percebe-se o quanto somos tratados como indigentes pelos poderes que regem a tão valorizada democracia, e o quanto temos que lutar contra essa agressão simbólica exercida pelas autoridades, e criar uma mente independente e criativa, ponderando com a realidade vivida e uma chance de crescimentos dentro de uma instituição acadêmica. Vamos á lutar pela igualdade, não essa que nos é apresentada como real, mas uma que ultrapasse os limites dessa dura realidade politica e social ao qual vivemos. Vamos colocar em pratica o que Marx pretendia: Uma revolução proletária, que poderá mudar o nosso rumo diante de perspectivas incertas e arbitrárias.
ELSON CASSIANO SOBRINHO
Graduando de História 3º periodo

3 comentários:

Anônimo disse...

Lixo!Tinha que ser coisa de calouro! Enchendo linguiça e analisando superficialmente. Que perda de tempo!

claudia garcia disse...

Exceto alguns deslizes gramaticais, a resenha respeita o texto e o relaciona a nossa sociedade.

Anônimo disse...

Ei, anônimo... Penso que voce poderia enriquecer o debate fazendo um comentário menos agressivo e mais inteligente.

Que tal discorrer sobre a obra e nos brindar com suas análises em torno da obra aqui resenhada?

#ficaadica