O que Davis descreve
sobre a grande fome 1876 na Índia, é muito além de uma catástrofe natural, é
uma verdadeira carnificina, um holocausto com maiores proporções do que na
segunda guerra mundial. O governo imperialista britânico na Índia mostrou seu
grande poder dominador e desumano. Foi criado um fundo de seguro para combater
á fome, que garantiria as grandes cidades indianas a socorrerem os camponeses,
mas, entretanto para o governo britânico a prioridade não era combater a fome e
sim sustentar as companhias militares ao longo da fronteira noroeste. (pág.151)
Na Birmânia havia
enormes excedentes de grãos, e para integrar a região ao sistema de integração
imperial, foram construídas novas ferrovias, o que nos deixa mais abismado com
a crueldade imperialista britânica, é que elas foram, em grande parte,
financiadas pelo fundo da fome, o autor deixa entre parênteses essa informação
por causa da sua indignação com esse ato brutal da Civilização Ocidental.
A fome não foi
provocada simplesmente pelo fato de não haver chuvas, como fora dito acima
existia um plano de socorro para os fenômenos naturais, onde ambas as regiões
se articulavam para ajudarem umas as outras. Fica claro que a fome generalizada
não tem sua ligação direta pela falta de alimentos na Índia e pela seca, embora
a seca possa ter contribuído bastante para a situação se tornasse caótica. Com
os avanços das ferrovias e das comunicações havia meios mais eficazes de
combater as catástrofes naturais e a fome na Índia, mas isso custaria para os
colonizadores perdas financeiras e arrecadações para o tesouro da rainha. E
Davis diz “A simples existência de vias férreas, além disso, não poderia levar
grãos para distritos onde era insuficiente o poder aquisitivo das massas”.
A ação capitalista do
governo britânico na Índia acontecia de modo cruel, mesquinho e desumano, só
pensavam no lucro e tratavam as massas pobres e famintas como animais, o trigo
indiano usado no pão inglês levava consigo a dor da fome e da miséria dessa
população em plena degradação. Ignorando aos nativos e suas reivindicações
nacionalistas contra a fome, acrescendo de sobremaneira as viúvas, órfãos e
pessoas vulneráveis a qualquer subida de preço nos alimentos, e Davis nos diz
que “A desnutrição, achavam os críticos, já alcançara níveis épicos sem
precedentes na história indiana”. (pág.153).
Como fora dito acima, a
população estava vulnerável ao aumento de preço dos alimentos e segundo o
autor, “isso, logo transformaria a seca em fome”. (pág.153). Recorrendo a um
relato de um missionário americano, Davis descreve que, “a seca era muito mais
disseminada que em 1877, ele se desesperava porque, “durante dois dias meus
empregados tentaram em vão comprar o equivalente a 50 centavos de grãos para
consumir”.” Era uma situação de extremo desespero aguçada pela falta de chuvas,
transformando pacatos camponeses em guerreiros e saqueadores de grãos, assim
eram vistos os efeitos da fome por toda Índia. Não faltavam aproveitadores para
explorar a miséria dos camponeses. Essas histórias chegaram ao exterior e
começaram a semear um mal-estar no mundo. As castas ricas e abastadas foram
proibidas de abrirem novas lojas, entretanto não foram impedidos de exportarem
seus excedentes de arroz para a Europa. (pág.156)
Envolvido num conflito
bélico na fronteira do norte ocidental e com os cofres vazios o governo reduziu
mais ainda a contribuição ao fundo da fome, quebrando as promessas feitas aos
indianos. Por toda parte aquelas figuras magérrimas eram fotografadas,
mostrando o horror e o contraste da prosperidade de um país a fome e a miséria
de sua população. Aumentou a taxa de mortalidade que era superior 10% em 1895,
outro fator preponderante foi à ininterrupta seca que assolava o país. Segundo
o autor o governo britânico recusou criar zonas de socorro às vitimas ou o
controle de grãos. Havia um sentimento de revoltas por toda Índia por causa da
ganancia do governo britânico na Índia. Para o governo britânico o indiano era
visto como mandriões e mendigos, e os enfurnou em asilos que eram verdadeiras
casas da morte. E as autoridades britânicas mostravam sua maldade e ódio pelos
pobres. Os alarmantes números de mortos em constante crescente, junto com a
ocultação dos verdadeiros dados pelo governo e as consequências da ignorância
das condições da situação levou a serem consideradas as principais causas da
carnificina na Índia.
A descrição que Davis
faz sobre o sofrimento das crianças e a insensibilidade do governo britânico é
comovente e nos faz compreender porque o titulo de seu livro se chama
“Holocaustos Coloniais”, realmente foram e podemos até dizer que isso ainda
acontece em várias regiões do planeta. O que me chamou atenção foi a maquiagem
que o capitalismo fabrica através de seu sistema de marketing e assim esconder
os produtos de suas apropriações, miséria, exploração e fome. A crueldade e
desumanidade são marcas que carregam a chamada “Civilização”, mas na verdade
tudo que ela produziu para se impor sobre o mundo foi ao contrario do que ela
prega.
Holocaustos coloniais
nos mostra até que ponto pode chegar à humanidade civilizada em sua carreira
gananciosa pelo lucro. Embora esses dados ainda não estejam nítidos para os
olhos da humanidade com tanta proporção como fora o holocausto nazista na segunda
guerra mundial, é tão horripilante quanto este, e provocaram mais mortes através
fome e da negligencia do homem e se preocupar e cuidar de seu semelhante do que
o holocausto nazista.
Por Elson Cassiano
Historiador/UERN
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